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Adote uma marca abandonada…

O mercado é regido pela lei mais simples e mais funcional de todas: a lei da oferta e da procura.

Quanto mais “raro” é um item, mais valioso. Quanto maior a demanda por um item, mais seu valor aumenta (ágio), quando há superoferta seu preço cai (deságio), simples e objetiva.

Então imagine que você tem um produto que está cada vez mais difícil de obter, sua “colheita” demora por volta de 2 anos, mas há casos de mais de 6 anos de demora para obtê-lo, por vezes ele é considerado a joia da coroa de uma empresa, custa relativamente caro para ser cultivado e, mesmo assim, por qualquer motivo alheio a todas essas observações, você não o quer mais, perdeu seu interesse nele.

O que você faz?

Abandona-o por aí, como se fosse lixo?

Coloca-o à venda, para, pelo menos, recuperar o que investiu?

Digo que no caso do produto que estou falando, em geral 99% das empresas simplesmente o jogam no lixo, ou nem isso, simplesmente deixam-no à sua própria sorte, apodrecendo com o tempo.

Estou falando da MARCA.

Vou explicar:

Quando uma empresa abre suas portas uma das primeiras atitudes que toma (ou deveria tomar) é registrar sua marca, afinal, ela é a sua identificação com os consumidores, seu link com o mundo.

Para nossa análise vamos usar os números divulgados pelo INPI para o ano de 2008, visto que nem os dados completos de 2009 estão no site (#fail).

Em 2008 foram feitos 119.878 pedidos de registro de marcas (em 2010 foram 129.620 – dados parciais foram divulgados), no mesmo período foram concedidas 60.268 marcas, prorrogadas outras 16.419, porém minha atenção especial é para outros números:

* 93.894 marcas foram arquivadas
* 22.357 foram extintas

Considere que uma marca pode ser arquivada por diversos motivos, mas em 2008 foram 32.295 indeferimentos, portanto, ainda temos 61.599 arquivamentos por outros motivos, em sua absoluta maioria (posso garantir mais que 80% sem medo de errar) pela simples desistência de seus titulares.

Então posso supor que dos pedidos de registro que ficaram aproximadamente 2 anos esperando uma decisão, gastaram valores que podem chegar a quatro mil reais, pelo menos 50.000 marcas foram simplesmente ABANDONADAS.

O pior é que muita gente pagaria por elas, afinal, um processo CONCEDIDO poupa 2 anos de espera, dúvidas, incertezas, investimentos.

Considere que ninguém pode, na hora do pedido do registro, garantir que uma determinada marca será efetivamente DEFERIDA pelo INPI, podemos no máximo é indicar que ela tem excelentes chances de registro, pois mesmo nos casos em que todos os indícios estão a favor ainda há variáveis que podem destruir o trabalho, como por exemplo um logotipo que seja similar ao de um concorrente ou viole um direito autoral que não conhecíamos na época.

Recentemente eu descobri que o logotipo que uma cliente minha queria registrar fora copiado de um logotipo de um evento para o mesmo produto, o pior é que ela foi enganada pela agência de publicidade que disse que criou o gmick, mas eu localizei – por acaso – o verdadeiro criador e alertei-a, como prever algo assim? Impossível!

Então, uma marca DEFERIDA já passou todo esse período de dúvidas, anseios e medo do indeferimento.

E a pessoa simplesmente a ABANDONA… como se fosse um pão mofado… Pior: ela nem dá chance de alguém consumí-lo, deixa dentro de uma caixa, fechado, em uma sala escura que só vai ser aberta tempos depois.

Porque digo isso? Porque uma marca DEFERIDA que não tem as taxas finais pagas só tem o despacho de ARQUIVAMENTO publicado tempos depois, algumas levam mais de 1 ano para que isso ocorra.

Não conseguiu perceber ainda o potencial do que estou falando?

Vou inverter a situação.

Você está abrindo sua empresa, escolheu um determinado nome que é o resumo de tudo que você deseja para esta empresa, é simplesmente PERFEITO!

Quando você procura uma empresa para fazer o registro dessa marca é alertado que já existe um pedido anterior e o risco de indeferimento é grande, pois se a outra empresa tiver o pedido deferido e pagar as taxas finais sua marca será INDEFERIDA e seu sonho acaba.

Se esta empresa tiver a marca arquivada por falta de pagamento seu processo será deferido e você poderá realizar o sonho da MARCA PRÓPRIA, mas daí vem o outro problema, levará pelo menos 1 ano para descobrir o que aconteceu, isso porque o INPI demora a publicar estas decisões e não fornece informações sobre o pagamento ou não de tais taxas, portanto, você depende exclusivamente da publicação, que pode demorar muito.

Considerando isso tudo, você não acha que seria razoável pensar que pelo menos uma parte dessas marcas abandonadas pode ter um “mercado”?

Não seria justo pensar que elas poderiam ser colocadas à venda e poderiam haver interessados?

Vamos fazer umas contas?

Se temos pelo menos umas 50.000 marcas abandonadas em 2008 e aplicando um percentual baixo, digamos uns 5% destas marcas tem atrativos para tornarem-se vendáveis, teríamos umas 2.500 marcas à venda? Some-se um percentual idêntico para as marcas extintas (a única causa da extinção é a falta de renovação), teríamos pelo menos umas 3.600 marcas à venda só no ano de 2008.

Vamos pensar que estas marcas são vendidas por valores muito baixos, digamos o custo que geraram e um ágio de 100%, falaríamos de um mínimo de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 então me explique:

PORQUE TEM TANTA GENTE RASGANDO DINHEIRO?

Vale citar que os números de 2009 e 2010 são bem maiores, tanto na quantidade de pedidos quanto nas decisões de processos, portanto devemos falar de bem mais que os ditos 3.600 casos usados neste artigo.

Então, antes de abandonar sua marca, tente vendê-la!

Nem todas conseguem, mas se você não tentar poderá estar disperdiçando um bom dinheiro.

E você que precisa de uma marca para sua empresa ou produto, considere a possibilidade de comprar uma marca que já esteja em processo de registro ou registrada, poupa tempo e dinheiro, além de ser uma coisa líquida e certa, é como comprar um bilhete premiado, não tem riscos nem dúvidas.

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Comments

  1. Rudinei  April 13, 2011

    Silvia,

    Nesse caso, a marca não teria exclusividade, porque é composta de elementos de uso comum no segmento, então fique tranquila, você não rasgou dinheiro!

    As pessoas tem preconceito com marcas “não exclusivas”, mas tá cheio delas por ai!

    Ou você acha que “Agua de Cheiro” tem exclusividade? E “BIG” (para supermercado)? E “Casa do Pão de Queijo”?

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  2. Luana cortez  January 29, 2017

    Quero começar uma venda de brigadeiro na minha casa, mas o meu intuito é fazer nome é logomarca e depois abrir várias lojas com essa marca, devo de imediato, mesmo por enquanto não sendo ” famosa” patentear tudo?

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    • admin  January 29, 2017

      Luana,

      Não existe um momento obrigatório para fazer o registro da marca, mas quanto mais você espera, pior é, mais arriscado é… Eu tenho, por exemplo, um cliente que esperou 24 anos para registrar sua marca, quando fizeram o registro já eram o maior grupo do seu segmento, mas o RISCO que correram agindo dessa forma foi enorme, recomendo que você leia este outro artigo:

      http://e-marcas.com.br/quanto-custa-perder-uma-marca/

      Atenciosamente,

      Rudinei Modezejewski

      reply

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